- Abre-se a Vala.
Bem húmida e pestilenta como se querem os espaços de
imundice e depósitos de vísceras, primeiro confessionário do desamor fraterno e
político. Sem confrangimentos, relativamente imoderados na pretensão - que as
hormonas já lá vão -, adivinham-se estilos cársicos em alívios de última hora.
Esperem-se batalhas de pudor. Aqui, uns veem realmente melhor
que outros: encara-se a perspetiva (cavaleira, não é?) e evita-se a falta de
opinião. Fossas de toda a espécie são benvindas. Não se marginalizam as
indigentes águas faciais, os licores de sarjeta, e outros resíduos mais ou
menos amargos, decantados da banalidade privada.
Sem daltonismo. Sem a irritante sensatez cabal. Com as foices
e martelos que as palavras tão mais eficazmente forjam. Com espaço, a cinco. Sem
saneamento. Escorrendo, e procurando.
- No meio da merda.
MR
MR
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