Foram tempos fulgurantes para os cronistas (mais ou menos amadores) da pátria... Nos idos de 2005-2007 surgiam diariamente polémicas incendiárias, escreviam-se os mais desbragados manifestos, digladiavam-se velhos senadores, jovens turcos e génios recém-incensados. Blogs nasciam e dissolviam-se com a convulsão explosiva da geografia de um planeta nascente. Exaltavam-se e imolavam-se autores com a devoção sanguinária de um sacerdote asteca. Uma febre do ouro propagava-se tanto pela sempre fascinante e provinciana nacional-intelligentsia, como pelos alpinistas que até a ela se queriam alçar. Mas num repente, quase tão depressa como tinha chegado, a epidemia amodorrou... Sobraram uns quantos bastiões, ruínas orgulhosas de uma civilização vencida. O sempre desafiante correr da pena era finalmente vergado pelo élan imediatista dos 140 caracteres e da caça ao thumbs up.
Uma parte nada despicienda das minhas convicções, crenças, armas retóricas e clubismos intelectuais provem desses tempos. O rapaz exilado na província exultou no maná das guerras de alecrim e manjerona, fez listas de favoritos que se alteravam a ritmo apassionato, rasgou as vestes com a queda de ilustres casas, exultou na vitória dos seus correligionários. A seu tempo, escudado por um nicho heterodoxo de boémios, diletantes, idealistas, poetas, et cetera, todos recém-chegados à faculdade, criou também ele a sua toca, delirante e pseudo até às orelhas. Essa escavação nunca terminou propriamente e foi-se arrastando até hoje, mais por melancolia do que por outra coisa qualquer...
Porquê, então, um outro blog agora?
Pela excelente companhia. Pela glória das causas perdidas. Para ventilar paixões e ódios, antes que irremediavelmente precipitem. Porque se vão perdendo as oportunidades para estruturar o pensamento sobre as coisas. Porque é preciso e porque nos apeteceu...
Alea jacta est, fratres. Já atravessamos o Rubicão.
MLB
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