terça-feira, 24 de novembro de 2015

‘Man: a being in search of meaning’, Plato.


Foi com base nesta premissa que aceitei com toda a relutância, de quem tem por actividade predilecta a procrastinação, o convite para encontrar seriedade nas coisas banais. Tarefa que não será contudo hercúlea para uma tão grande connoisseur do fútil e do mundano. Para aqueles que nunca tiveram o privilégio de me conhecer, todo o fel que despejarei nestas parcas palavras parecerá, sem dúvida, uma aglomerado de palavras ocas, regurgitadas para a vastidão da web… Um verdadeiro lixo electrónico poluidor do aparente infindável espaço cibernético. Parece então oportuno providenciar alguma contextualização básica para que seja minimamente perceptível ao leitor discernir sobre que raio estou eu, afinal, a falar.
Embora habitando num mundo algo obtuso, cravejado de conservadorismos ocos e regra geral cinicamente pestilentos, desde cedo que despertou em mim uma certa predilecção para o kitsch, um pout-pourri do entretenimento, se preferirmos. Sem vergonhas ou falsos pudores, admito tranquilamente que o meu amor por reality shows e adjacente imprensa cor-de-rosa é apenas comparável àquele demonstrado no já ido ano de 2009 pelo agora ex vice primeiro ministro de Portugal, em relação à sua “magnífica” parede roxa com luzinhas cintilantes “maravilhosas” a fazer lembrar o céu da Índia [inserir aquele sotaque bafiento da zona de bem da nossa cidade]. Chegados aqui, e se me permitem confessar, a muito custo e ao som do último albúm de Justin Bieber – poupemo-nos agora aos esgares de horror e admitamos em uníssono #jesuisbelieber ou nas palavras de MR ‘aceita que dói menos’ – cumpre-me agora realizar materialmente a empreitada textual encomendada pelo meu querido colega, e arqui-inimigo, Manel Reinna.
No entanto, e em jeito de lição de vida, não será agora que encetarei a análise kardashiana da actualidade mundana. Isto porque, se por um lado a prosa já se alongou para lá das indecisões políticas que marcam a actualidade nacional – abençoado Cavaco: personificação do “deixa andar” lusitano – a preguiça comanda a vida e a CMTV anseia pela minha atenção. Veritas odium parit.

SCH

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