‘Man: a being in search of meaning’, Plato.
Foi com base nesta premissa que aceitei com toda a relutância, de quem
tem por actividade predilecta a procrastinação, o convite para encontrar
seriedade nas coisas banais. Tarefa que não será contudo hercúlea para uma tão
grande connoisseur do fútil e do
mundano. Para aqueles que nunca tiveram o privilégio de me conhecer, todo o fel
que despejarei nestas parcas palavras parecerá, sem dúvida, uma aglomerado de
palavras ocas, regurgitadas para a vastidão da web… Um verdadeiro lixo
electrónico poluidor do aparente infindável espaço cibernético. Parece então
oportuno providenciar alguma contextualização básica para que seja minimamente
perceptível ao leitor discernir sobre que raio estou eu, afinal, a falar.
Embora habitando num mundo algo obtuso, cravejado de conservadorismos
ocos e regra geral cinicamente pestilentos, desde cedo que despertou em mim uma
certa predilecção para o kitsch, um pout-pourri do entretenimento, se preferirmos. Sem vergonhas ou falsos pudores, admito
tranquilamente que o meu amor por reality
shows e adjacente imprensa
cor-de-rosa é apenas comparável àquele demonstrado no já ido ano de 2009 pelo
agora ex vice primeiro ministro de Portugal, em relação à sua “magnífica”
parede roxa com luzinhas cintilantes “maravilhosas” a fazer lembrar o céu da
Índia [inserir aquele sotaque bafiento da zona de bem da nossa cidade].
Chegados aqui, e se me permitem confessar, a muito custo e ao som do último
albúm de Justin Bieber – poupemo-nos agora aos esgares de horror e admitamos em
uníssono #jesuisbelieber ou nas palavras de MR ‘aceita que dói menos’ –
cumpre-me agora realizar materialmente a empreitada textual encomendada pelo
meu querido colega, e arqui-inimigo, Manel Reinna.
No entanto, e em jeito de lição de vida, não será agora que encetarei
a análise kardashiana da actualidade
mundana. Isto porque, se por um lado a prosa já se alongou para lá das
indecisões políticas que marcam a actualidade nacional – abençoado Cavaco:
personificação do “deixa andar” lusitano – a preguiça comanda a vida e a CMTV
anseia pela minha atenção. Veritas odium
parit.
SCH
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